Hoje as crianças iniciam na escola muito mais cedo do que na minha época. Eu entrei com 6 anos e lembro que via a escola como um lugar para aprender a ler e escrever, brincar e fazer novos amigos. Não via a hora de ter uma lancheira e invejava as primas mais velhas que levavam kisuco naquelas garrafinhas plásticas.

É muito comum as mães deixarem seus bebês com poucos meses nos berçários porque tem que retornar da licença maternidade. Falo com conhecimento de causa, pois deixei a Giulia com 4 meses. Nesta idade a adaptação é da mãe e não da criança. É um misto de culpa, preocupação, ciúmes da pessoa que ficará com o seu bebê, mas também um momento de alívio. Sim, alívio. Bebês dão um trabalho danado. Cansa. E o berçário de certa forma estará te ajudando. Pra o bebê o que importa é que saciem suas vontades básicas: sede, fome e soninho.

Já com um ano a adaptação começa a ser mais difícil. Há uma ligação mais forte entre a família e o bebê. Seu espaço, seus brinquedinhos, sua rotina, o colinho da mãe, a voz e o cheiro. O vínculo entre a criança e a família aumenta com a idade e dificulta o “aparte”.

Crianças maiores já entendem o que acontecerá e conseguem se expressar, contar o que fez e o que aconteceu. E também entenderá que irá passar um tempo na escola. Então é importante que explique que ela iniciará na escola e o que vai encontrar lá: outras crianças, professoras, brinquedos coletivos e atividades. Que é um lugar agradável (mas não é um buffet infantil) e não um lugar que ele vai ficar pra mamãe poder trabalhar. Que depois ele retornará para casa. Nada de mentiras e nem promessas falsas.

O período de adaptação varia com as idades e para cada criança. Algumas surpreendem os pais e entram sem olhar pra trás. Adoram tudo e na hora da saída relutam em ir embora. Já vi criança que quer ir no banheiro e ficam sentadinhos na privada para fazer hora enquanto os pais esperam ansiosos no portão.

Mas há crianças que choram, berram e grudam nas pernas dos pais.

Vou falar uma coisa: as crianças percebem e sentem quando os pais não querem deixá-los. Ai é a família que tem que se adaptar à escola e não o filho. Converse com a coordenação, conheça os ambientes e os profissionais, crie confiança que você vai passar isso para os filhos.

Algumas dicas são usadas por muitas escolas: a mãe senta na sala no primeiro dia, fica o dia todo, depois diminui o tempo com o passar dos dias. Outras deixam a mãe à vista e a criança vai lá sempre que quiser conferir. Algumas mães deixam algo pessoal na sala pra criança ver que irá voltar e pegar.

Entre com a criança caminhando e não no colo, pois torna mais fácil a separação. Não leve junto outro irmão que não ficará na escola, pois a criança não vai desejar ficar sabendo que o outro irá voltar com os pais. Também é aconselhável deixar um brinquedo, objeto ou até naninha que a criança gosta durante esse período.

Mas algumas coisas não podem acontecer nesse período: atrasar para buscá-lo; sair escondido e sem se despedir ou sem explicar a criança que vai embora e ela irá ficar; chorar na frente da criança (longe pode); gritar e se descontrolar com ela e principalmente chegar atrasado para pegar o filho. Até a criança mais adaptada irá se sentir abandonada quando ninguém vier buscá-la. Longas despedidas e abraços prolongados também não são legais. Seja firme e afetuoso.

A escola por sua vez deve acolher a criança e a família. Deve estar preparada, organizada, tranquila e segura para receber alunos e pais.

Bom ano letivo para todos e que as adaptações sejam rápidas e fáceis porque adaptar-se ao meio ambiente é uma necessidade e uma constate dos seres vivos, que começa quando nascemos.

Roseli Gonçalves

Pedagoga, Psicopedagoga, Professora de surdos e mãe da Giulia

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