A menina pegou um óculos amarelo e uma tiara de anteninha com bolinha na ponta. O menino um óculos em formato de borboleta. Na mesma hora uma professora disse: _ Hummm não fica bem pra menino usar borboleta. E nessa hora lembrei da reportagem que li.

Fui pesquisar. A escola chama-se Egalia. A proposta da escola é trabalhar para evitar a perpetuação dos estereótipos de gênero. Essa ideia permeia todas as atividades educacionais. Materiais, seleção de brinquedos e livros são pensados a partir de uma perspectiva de igualdade de gênero. O objetivo é ensinar e mostrar as crianças que cada pessoa tem um valor igual, independentemente da formação cultural, da família, das habilidades físicas e mentais, idade, sexo ou orientação sexual.

A prática dessa escola pode ser considerada bastante radical e com certeza alguém vai falar: _Mas o mundo não é assim..... Lá fora é bem diferente.

Mas porque não tentarmos mudar isso com nossos filhos, alunos, sobrinhos e netos? Porque menino não pode brincar de casinha? E depois reclamamos que nossos maridos não nos ajudam nos afazeres domésticos? Nunca vi um menino trocar fralda de boneca e fazer roupinhas com retalhos. Meninas não são incentivadas a jogar bola, empinar pipas e brincar com o Max Steel só se for pra “casar” com a Barbie que ela tem.

Brincar de carrinho e de panelinha não irá influenciar na opção sexual de nenhuma criança. Se a criança já tem uma tendência à homossexualidade ela pode preferir os brinquedos e atividades direcionados a tal. Não devemos anular a possibilidades da criança crescer com diferentes brincadeiras e papéis.

Mudar esse paradigma é bem difícil e demorado. Para os pais ainda mais. O que os outros vão achar, o que vão pensar. Estamos longe de termos uma escola como esta da Suécia, mas pequenas atitudes devem dar início a essa mudança: respeite as escolhas das crianças, não as encham de preconceito.

Ahhh, o menino que escolheu o óculos de borboleta ficou com ele por 10 minutos e o abandonou em um canto. Preferiu pular o carnaval sem óculos.

Ps. A pessoa que voz fala nunca brincou de aviãozinho e moto quando criança, mas depois de adulta comprou uma moto e pilotava aviões de verdade.

 

Roseli Gonçalves

Pedagoga, Psicopedagoga, Professora de surdos e mãe da Giulia

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